Este é o espaço onde contamos as nossas aventuras como comerciantes de fruta no mercado de Olhão, recuperando a tradição secular da família. O nome do Blogue homenageia a nossa Avó, mais conhecida por Ti Venturinha.
A MINI está connosco já há 2 meses. Resgatámo-la da rua já ferida e mal tratada. Ainda esteve uns tempos num abrigo, mas apanhou um virus que lhe causou sérios problemas respiratórios. Depois de muitos vapores ficou melhor, mas logo de seguida veio um fungo e caiu-lhe o pelo... Pobre MINI!...
Mas isso tudo já passou e agora está saudável e terrívelmente traquinas. Como a casa já um pouco lotada, gostávamos de lhe encontrar uns donos à maneira.
A MINI é um doce de gata. Super-afável: parece um barco a motor assim que se aproxima de um ser humano, de tão alto que ronrona.
Se procuram companhia felina, contactem-nos através do email tiventurinha@gmail.com. Lembrem-se que habitamos no Algarve pelo que mais longe do que isso é difícil combinar encontro para verem a MINI.
Após 3 meses de carinho e acompanhamento temos rabanetes... Infelizmente muitos deles "estalaram". Segundo nos disseram terá sido pelo frio excessivo ou por terem ficado demasiado tempo no solo.
Não são grande coisa à vista, mas são saborosos e os nossos visitantes mais madrugadores levaram-nos a todos. Obrigado!
Mais um episódio do nosso passo a passo, sobre como criar um horta biológica. Neste episódio o nosso amigo tem problemas com excesso de água e consequente falta de nitrogénio, porque tem chuvido muito...
Como medida de contingência ele mostra-nos como faz o seu "chá de composto", que supostamente é um fertilizante suave e de acção lenta... O chá é uma forma de expressão porque os ingredientes fundamentais são cócó de galinha, cascas de fruta, folhas e água.
A propósito, lá na quinta, o Leonardo e o Virgílio andaram feitos malucos a fazer umas vedações para criarmos galinhas... Isso quer dizer que em breve vamos ter ovos (e novos ingredientes para o composto, eh, eh...).
De vez em quando atrevo-me a escrever coisas um pouco mais pensadas. Desta feita gostava de partilhar a história de um amigo que fizémos nas nossas manhãs de Sábado no mercado de Olhão.
Próximos dos seus 40 anos, de nacionalidade Suiça, o Olivier aproximou-se de nós numa solarenga manhã de sábado. Era alto, longilíneo, de tez branca e olhos azuis. A sua aproximação foi suave e discreta.
Ao longo de três sábados consecutivos fez-nos visitas e connosco partilhou a sua história e modo de vida. Falou-nos bastante da sua opção em viver de forma livre, em função dos elementos da natureza e completamente desprendido das regras tradicionais da sociedade ocidental. Na verdade só nos contou tudo isso porque nós fomos curiosos. Ele até estava interessado em falar das coisas simples da vida e conhecer um pouco da nossa cultura .
A sua aparência com vestes exóticas e normalmente descalço, levava a que muitos o interpretassem como um marginal ou sem-abrigo... A dada altura um vizinho, na melhor das intenções, chegou-me discretamente a perguntar porque falávamos tanto com aquele "vadio". Lá tentei explicar educadamente que o Olivier vivia daquela forma humilde e desprendida, por opção consciente e inteligente... mas não sei se me consegui explicar. São coisas que fogem da bitola habitual de avaliação dos padrões de vida pela nossa "sociedadezinha".
A voz do Olivier era melodiosa, como a fazer lembrar criaturas mágicas do imaginário do Senhor dos Anéis e sua presença tinha um efeito tranquilizador nas nossas cabeçinhas... Levava-nos a sentir que tudo ia correr bem.
O contacto com o Olivier foi marcante, porque chegou num momento de encruzilhada das nossas vidas. Não pretendíamos sair por esse mundo como nómadas, mas sentiamo-nos escravos e dependentes de várias coisas... Sentíamos necessidade de mudar algo.
Entre várias decisões que tomámos, uma foi vender a casa que comprámos (na verdade a casa pertencia ao Banco, a quem pagávamos juros chorudos)... Precisamente nesta semana mudámo-nos para uma casa alugada e vendemos a casa que estávamos a pagar ao banco.
Na nossa antiga casa, tinhamos a cozinha perfeita, totalmente equipada com máquinas state-of-the-art mais inteligentes que o Einstein, a sala perfeita, com móveis da moda IKEA, todos a combinar e os quartos perfeitos, todos com ar condicionado.
De alguma forma tinhamos pensado que precisávamos de toda essa perfeição para sermos felizes.
BURROS...
Existem muitas coisas que nos conferem falsa sensação de segurança. Coisas que fazemos porque sempre nos disseram que era o mais correcto ou porque nos ajuda a integrar na sociedade em que vivemos... O problema é que a sociedade em que vivemos é fortemente condicionada por valores consumistas. Tudo isto levou-nos a reconsiderar muitos aspectos da nossa vida.
Claro que sentimos a falta do ar condicionado nos quartos, mas acreditem que estamos mais felizes.
A quem adivinhar quantas gaivotas são avistadas no vídeo, a Banca da Ti Venturinha oferece 1Kg de fruta. Basta aparecer na banca e dizer quantas são. Fácil não é?!?
Mais um episódio da série de vídeos sobre como criar uma horta biológica. O primeiro episódio falava da importância das "raised beds" (camas subidas) para proteger o cultivo de ervas daninhas.
Neste episódio vemos como algumas das plantas estão já a crescer. Morangos, ervilhas, espinafre, cenouras e feijões, são algumas das plantas cultivadas.
Recentemente recebemos a visita da Ti Cauita. Bióloga Marinha de formação académica, desenvolve desde há alguns anos meritório trabalho no domínio da Qualidade do Ar, mas acima de tudo é uma Ambientalista, sendo uma apoiante do projecto Ti Venturinha.
O dia estava ventoso.... por isso relativizemos os penteados.
Artista de muitas facetas, o Marco António (também conhecido por Mató le Freak), mostra neste espaço as suas criações, que utilizam diversos artigos recuperados de contentores do Lixo.
Na verdade, esses objectos usados de forma criativa, ganham uma nova vida e utilidade, sem mencionar o aspecto eco-sustentável do conceito.
Bem... esta semana a Patrícia teve a trabalhar no duro... Lavrou e limpou o terreno, para depois semear e regá-lo abundamentemente com água. A sementeira foi de tubérculos como rábano, rabanete, nabo e cenoura. Também semeou verdes como salsa, coentros e espinafres.
Na verdade, a estrela da companhia são as chamadas Cenouras Boom (sementes biológicos gentilmente oferecidas pelas Associação Gaia durante o festival Boom).
Vamos ver se vingam... Em breve actualizaremos fotos da Quinta.
Aparte a nossa aventura comercial, temos também o nosso projecto de produção biológica. Durante o processo de pesquisa de informação, deparámo-nos com um conjunto de vídeos tutoriais muito simpáticos no YOUtube.
Este é o 1º vídeo da série... Nas próximas semanas iremos inserindo outros.
O vídeo documenta uma horta nos EUA, em condições seguramente diferentes da nossa, pelo que não devemos tomar os ensinamentos como regras absolutas. Em todo o caso, os vídeos acabam por funcionar um pouco como telenovela. Estamos todos a torcer para a horta dê certo!
O festival Boom realiza-se cada dois anos em Idanha-a-Nova (Portugal). É considerado um dos maiores festivais de trance music do mundo, mas na verdade é muito mais que isso. É um evento onde convergem pessoas de todas as culturas e cantos do mundo formando um TODO de harmonia.
A nossa ida à edição de 2008 do Boom foi fundamental para a nossa decisão de aproximação à terra e à natureza em geral, procurando um modo de vida eco-sustentável.
Conhecemos pessoas incríveis de todos os continente e testemunhámos exemplos de formas de vida completamente diferentes das convenções que nos impingem nas MTV, nos Sudoestes e nas linhas de pensamento tradicionais.
O Boom, como festa, dura apenas 1 semana, mas como proposta de forma de estar na vida pode durar 365 dias por ano.
Este pequeno clip de vídeo retrata o porquê deste nosso projecto... e porque nos realiza tanto. Nele podemos ver os nossos amigos Fernando e Pilar (fazendo o característico gesto de "lós tótós" -> thumbs up), dois jovens "partidores" de amêndoa usando o espaço self-service criado para o efeito desta forma mantendo viva a tradição, clientes da nossa banca pedindo por papaia e outros transeuntes indagando pelo teaser do dia: "Recicla!" (pelo meio um close-up da própria realizadora do clip... eh eh).
Um sonho concretizado realidade.
PS: O clip acabou por ser quase uma longa-metragem porque a realizadora não encontrava o botão do stop.
Esta semana recebemos a visita de amigos como a prima Iça, o Jorge, a Pilar e o Fernandinho. Em particular, a Iça e o Fernandinho estiveram no self-service de amêndoa e mantiveram a chama viva. Mas não foram só eles a aderir... Este sábado tivémos várias adesões entre as quais um grupo de jovens partidores de amêndoa.
Estamos na época da amêndoa. Varejar, apanhar, escolher, limpar, partir amêndoa... é todo um processo que dá um trabalho incrível e faz com que esta cultura seja pouco atractiva para produtores.
No passado fim-de-semana lançámos uma nova iniciativa para recuperar a tradição. Criámos uma zona a que chamámos de Self Service de Amêndoa. Que significa? Pois bem, quem partir amêndoa não paga!!!
Esta área foi pretexto de conversa com muitos curiosos e visitantes. Poucos se atraveram a partir a amêndoa, sob pena de machucarem o dedo com o martelo. Em todo o caso, no final do dia a tacinha verde tava cheia de miolo de amêndoa.
Esta semana tivémos a visita da Lena, que deu um colorido muito especial à manhã de sábado. Ao som de reggae e afrobeat as suas habilidades provocaram muita curiosidade e alguns sorrisos a transeuntes e vizinhos.
O convite para regressar ficou desde logo feito. Esperamos por ti em breve!